quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Dois oponentes!



O kak kan busca através de intensos treinamentos físicos e mentais, praticar o bom combate, ou seja, aquele que almeja derrubar os piores inimigos de um homem; seus medos e inseguranças. Muito se falou já sobre o aspecto de nos transformarmos em espelhos e fazermos nosso adversário bater em si mesmo. É um conceito muito difícil de entender, coloca-lo em pratica então quase impossível. Os grandes guerreiros do passado, aqueles que foram quase invencíveis, por certo atingiram tal patamar marcial. Mas como? De que maneira encontraram a perfeição na arte de lutar? Quais habilidades tiveram que treinar para polir seus espíritos de forma a refletir o oponente nele mesmo? E mais isto é possível?

É um estagio que se encontra entre os três tesouros humanos, corpo, mente e espirito. Parte de cada uma destas regiões se liga e comunica-se na mesma frequência umas com as outras e para o mesmo objetivo, neste caso o marcial, lutar. Assim o treinamento precisa necessariamente passar por um bom treino de corpo, um ótimo treinamento de mente com o aluno entendendo o que precisa ser feito, e um excelente treinamento espiritual, onde uma nova roupagem de si mesmo precisa ser gravada pelo praticante, deixando uma marca guerreira que será a referencia para a mente e o corpo se fundirem na primordial energia da batalha: o objetivo a ser almejado.

O corpo padece rápido por muitos motivos. A mente se distrai e se perde muito facilmente. O espirito é um estado sublime indescritível em palavras e somente alcançado em lampejos de existência. Assim o kak kan aprendeu a importância da fusão pratica, nenhum pouco meditativo ou imaginativo, reflexivo ou algo do gênero, mas sim meditar enquanto se luta.
Eu não existo para meu adversário, ele não encontrará em meus golpes artifícios para a batalha, mas sim ficará perdido, pois sentira que ao tentar me destruir, estará sentindo de forma real no seu corpo, na sua mente e no seu espirito que golpeia a si mesmo. Então neste exato momento de confusão, ele estará inseguro e perdido e naturalmente refém de minha vontade.

Então meus alunos, não treinem nosso estilo de forma vazia, pensando nos benefícios físicos, ou no domínio da mente, e muito menos que espiritualmente terá certa iluminação. Tudo isto é um erro. Treine o kak kan de forma a entender a si mesmo, fique sozinho em uma sala cheia, e transforme seus conhecimentos mundanos em energia marcial, não permitindo que o cidadão, o pai de família, o amigo, o filho, o trabalhador ou o empresário entre na sala de treinamento, pois estas energias existenciais não podem criar ou controlar o espirito marcial, sendo que o contrario é muito mais fácil de administrar.  Assim o kak kan poderá fazer muito mais por você, nessa busca difícil e digna que é se tornar um ser humano melhor, para si e para os demais seres existentes.


“quando tirar seus pés da areia, e mergulhá-los na praia, não deverá e não poderá mais tentar sentir a textura do grosseiro, pois estará experimentando as maravilhosas energias sutis da água”.   Mestre Taifú

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